Neil Gaiman é um escritor britânico que ganhou fama internacional como roteirista da série de quadrinhos Sandman, da linha de quadrinhos adultos da DC Comics. Trata de uma das séries que revolucionou o próprio conceito de quadrinhos como entretenimento, dando-lhes um viés ao mesmo tempo literário e artístico, mitológico e pop. É uma grande releitura de Sandman, personagem clássico da editora, mas também do mito de Morfeu, o deus dos sonhos dos gregos.

Stardust, elaborado juntamente com o desenhista Charles Vess, lançado originalmente em volumes pela DC, traz uma proposta semelhante: um conto de fadas – ricamente ilustrado, diga-se de passagem – elaborado para leitores adultos.

A trama é bem simples: na Inglaterra vitoriana, em uma pequena vila que faz fronteira entre o mundo dos mortais e o mundo das fadas, um jovem faz a seguinte promessa para sua amada: capturar uma estrela cadente. Só que, como é natural em um conto de fadas, a natureza da estrela cadente não é exatamente o que ele quer encontrar…

Aqui, a mistura do clássico e do pop apresentada em Sandman dá lugar aos elementos típicos dos contos de fadas: a bruxa, a princesa desaparecida, o herói valente que tem um coração de ouro, criaturas que o ajudarão em seu percurso, um reino que precisa de um herdeiro, a simbologia de números como três e sete, a presença e o poder das cantigas… Tudo isso em uma construção interessante e intrincada.

Mas, acima de tudo, é um livro que, apesar de um autor experiente e com domínio de narrativa invejável, possui alguns problemas sérios. O primeiro deles: quando a história chega em sua metade, o ritmo se altera totalmente. Era como se a cadência de uma melodia, que se mantinha durante a primeira parte, fosse alterada de maneira radical. Os acontecimentos se aceleram mas não porque a narrativa e a condução dos mesmos assim o exige – parece que o autor detalhou demais os primeiros elementos e, tendo um número limitado de páginas a cumprir, saiu correndo no final.

Além disso, a aparição da Irmandade do Castelo aparece muito mais como deus ex machina do que como solução. São personagens totalmente isolados da trama, que não se amarram ou se encaixam e deixam mais perguntas do que respostas. Servem apenas de via fácil para o autor tirar seus personagens de uma enrascada.

Alguns acontecimentos do desfecho da história também tem esse gosto de deus ex machina. Um fato bastante relevante na vida de Tristram passa quase que batido, enquanto outro simplesmente surge, sem nenhuma indicação de que aquilo poderia ocorrer. Mesmo os finais de alguns personagens parecem forçados, não-naturais, mal trabalhados… Uma pena. Sinceramente, esse era um universo que merecia mais capricho. Prefiro acreditar que a DC Comics precisou diminuir o número de edições por alguma razão, fazendo com que o autor não pudesse concluir e colocar os detalhes necessários para a trama.

E aqui cabe um adendo. Em 2007, a adaptação de Stardust chegou às telas de cinema.

Adaptação sempre é uma questão polêmica, mas o roteiro do filme de Stardust corrige algumas das falhas grandes e visíveis do livro, transcrevendo-as em um filme delicado, interessante – e, até mesmo, algo que o livro não dá brecha, com cenas de ação. Os grandes buracos do livro são preenchidos, as falhas arrumadas, algumas adições bem interessantes. Vale, principalmente, por um personagem exclusivo do filme: o capitão Shakespeare, que inclusive é o dono das melhores tiradas.

É um desses raros casos em que o filme sai melhor do que o livro originário, talvez por se permitir uma exploração maior e melhor do cenário.

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O mundo nem sempre foi do jeito que é hoje. O poder muda de mãos, o conhecimento, a riqueza… e todos eles se movimentam, espalham e retraem com o tempo. Por volta do século X, a vanguarda científica e tecnológica do mundo ocidental encontrava-se nos países árabes – bastante irônico se pensarmos em sua situação geopolítica atual, bem como em alguns pré-conceitos e preconceitos bastante disseminados. Ali, naquele momento histórico, estava centrado o ápice da civilização e da intelectualidade do mundo.

Agora, imagine que um árabe dê de cara com um povo bárbaro, diferente em tudo de sua própria cultura. Esse é um dos pontos de partida de Devoradores de Mortos, de Michael Crichton.

Michael Crichton era um escritor especialista em best-sellers, em todos os gêneros: romance, suspense, ficção científica, fantasia… Talvez o seu trabalho mais conhecido seja O Parque dos Dinossauros, que inspirou o filme – e vários dos seus livros acabaram por virar filme. (Devoradores de Mortos, inclusive, deu origem a O 13º Guerreiro).

Um ponto interessante é que a trama é trazida como relato histórico, inclusive com notas de rodapé produzidas pelo próprio autor, como se fosse um manuscrito antigo traduzido por ele. É uma escolha narrativa bastante interessante e que funciona muito bem na história a ser contada aqui – o ser que sai da metrópole e se encontra com os bárbaros e se espanta com a diferença de costumes e modo de vida.

Só que entramos aqui na segunda premissa da história: os bárbaros são nórdicos, liderados pelo lendário Beowulf. Será recontado então, através do olhar de um observador alienígena, que além de narrar a saga, dirá muito também sobre a cultura em que se insere. A trama não diz respeito apenas à busca do herói pelo monstro e pela mãe do monstro, mas a todo o processo, detalhes e minúncias envolvidos.

E, como a trama é revestida por uma aura de relato histórico, a explicação do monstro também tem algum senso de pseudo-ciência, o que acaba muito bem construído. Também é de se ressaltar o trabalho de pesquisa realizado pelo autor, que não tirou as explicações sobre os povos nórdicos e seus hábitos simplesmente de sua cabeça.

É um livro curto e de leitura fácil, temática interessante e uma boa introdução à obra de um autor tão versátil.

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Hoje, vamos a um post que difere um pouco das resenhas do blog, bem como sobre a temática principal, que é a literatura, mas que vai para uma arte que a tange, a dá substância e sentido: contar histórias.

Qual é uma das formas mais atuais – e subestimada, no mais das vezes! – de se contar uma história nos dias de hoje? Através, é claro, dos jogos eletrônicos. Aqui, primeiramente, antes de prosseguirmos, gostaria de fazer algumas ressalvas. Primeiro: a função precípua de um videogame, obviamente, é o entertenimento. Ou alguém aí enxerga algo além disso em jogos como Space Invaders ou Winning Eleven, dentre muitos outros?

Segundo: não estou querendo aqui igualar literatura e videogame. É tão sem pé nem cabeça quando igualar literatura e cinema, literatura e música ou mesmo literatura e quadrinhos. São mídias diferentes, formatos diferentes, sentidos diferentes a serem despertados, reações diferentes a serem alcançadas.

E, terceiro, vocês, meus leitores, são pessoas cultas o suficiente para estarem cientes que videogames não são coisa só para crianças. De forma alguma. A indústria de jogos é tão segmentada quanto qualquer outra, existem jogos planejados tanto para crianças quanto para adultos (claro, se você acha que jogos como GTA foram feitos para crianças de oito anos jogarem… Sei lá, também não teriam problemas em deixar seus filhos de oito anos lerem Anais Nin, Clive Barker ou Thomas Harris… )

Videogame é uma das formas modernas e populares de entretenimento. É possível ver consoles, dos mais antigos aos mais atuais – e mesmo jogos para computador, por que não? – em todas as classes sociais e em todas as faixas de idade. É uma forma de diversão inteligente – pois é, saudosistas, quebrar a cuca às vezes por dias para resolver um mistério ou procurar um caminho para passar de uma determinada fase pode ser tão ou mais desafiante, desenvolver tão e mais conexões cerebrais, criatividade, imaginação e jogo de cintura do que fazer um boizinho de chuchu ou um telefone de latas…

E qual é a base do videogame? Você, jogador, é o protagonista da história, e a partir de seus olhos comandará a história. Pode ser algo bem simples, como derrotar todos os monstros e salvar a princesa da torre, mas também pode envolver uma trama complexa, com vários quebra-cabeças e reviravoltas, nas quais você pouco sabe sobre si mesmo, sobre seu mundo e sua missão, que se desvelarão aos poucos.

Para que toda a trama se desvende, será necessário a você, protagonista, buscar pelas pistas, conversar com as pessoas corretas, procurar aliados, evitar inimigos e vencer desafios que levarão à conclusão da missão. Em um mundo sob sua perspectiva, onde suas ações determinarão, sob certos parâmetros, quais serão os rumos da trama. Onde há tramas paralelas que estão ali para serem resolvidas, em que o cenário pode ser explorado, onde há trilha sonora. O jogador, certamente, tem um papel muito mais ativo na construção da trama do que se estivesse meramente lendo ou assistindo. O protagonista vivencia a trama.

E aqui fica a questão para quem se propõe a escrever: como ser tão interessante a um jovem leitor do que um jogo que ele possa protagonizar? Claro, novamente, a experiência de ler um livro é totalmente diferente daquela de jogar um jogo, não são mutuamente exclusivas, mas como atrair alguém para a leitura, em um mundo de interatividade?

Onde cada mínimo passo do protagonista pode ser acompanhado, onde sua arma pode ser forjada, onde o desafio de matar um dragão (ou qualquer outro adversário trazido pela trama) não está descrito, mas deve ser executado ali para que a trama se desenvolva, o enigma que deve ser resolvido para que tudo avance… Talvez por isso um jogo seja tão envolvente, pela oportunidade de ser, você mesmo, o centro de toda a ação e o catalisador dos acontecimentos.

Essa consciência do “contar e construir uma história” está presente em vários jogos, dos mais diferentes estilos. Inclusive, alguns jogos possuem tramas mais complexas e bem-trabalhadas do que muitos livros. Cito como exemplo aqui Final Fantasy VI – uma das melhores tramas e construção de personagens que já vi em qualquer mídia. Enfim, uma das histórias mais bem-trabalhadas e contadas que já vi.

Autores, não desprezem a narrativa dos videogames, como não devem desprezar o cinema e os quadrinhos. Há muito a ser ensinado e aproveitado em termos de narrativa, temática e dinâmica. Leitores-jogadores: saibam apreciar uma boa história onde quer que a encontrem, dispam-se de seus preconceitos. Jogar um bom jogo pode ser uma experiência tão recompensadora quanto ler um bom livro.

Há muito que ainda poderia ser dito para o tema mas, por hoje, encerrarei com dois vídeos, da cena mais tocante que já vi em um videogame, em sua versão original e no remake feito em computação gráfica.

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Olá! O blog andou um tanto quanto silencioso nos últimos tempos, mas minha vida fora daqui também anda agitada. Estou aproveitando a atualização para juntar links, organizar coisas e tirar as teias de aranha do blog. Enfim.

Terminei os livros já publicados da série A Song of Ice and Fire. Como o volume de spoilers vai aumentando gradualmente, e vocês conhecem a política de spoilers do blog, achei que não seria conveniente fazer resenhas dos dois últimos livros. Mas, em compensação, como boa fangirl que sou, já estou prometendo uma resenha que englobe tudo!

A coisa boa de não ter podido atualizar, também, é que estou devendo quatro resenhas além da já citada! Ou seja, tem muito material para vir pra cá. E espero ter novidades dentro de breve!

Mas chega de blablabla e vamos ao livro de hoje. Primeiro, soube deste livro primeiramente por uma notinha de jornal sobre o filme baseado nele, e a temática me interessou: Julia Child é uma chef famosa, responsável pela popularização da culinária francesa nos Estados Unidos na década de 1960, enquanto Julie Powell, nos anos 2000, vivendo um mau momento de sua vida, impõe-se o seguinte desafio: preparar, em um ano, todas as receitas do livro de Julia Child (o filme, estrelado por Meryl Streep e Amy Adams, estreia no Brasil em outubro).

A premissa me pareceu interessante: a culinária servindo como vetor de uma mudança de vida. Além disso, pelo menos por enquanto, estou tentando evitar livros de fantasia para que minha impressão sobre eles não saia viciada (quero ver alguém me causar a sensação de maravilhamento que o sr. George R. R. Martin me causou), e este parecia ser do tipo leve, divertido e não-fantástico que eu procurava.

O livro, baseado em fatos reais, narra a história de Julie Powell, aproximando-se dos trinta anos, com um emprego horrível, precisando se mudar para um apartamento péssimo e sendo cobrada, ainda que internamente, por filhos. O suficiente para qualquer um surtar, não? Então, visitando sua mãe, ela encontra o livro Mastering the Art of French Cooking (Dominando a arte da culinária francesa, numa tradução livre), de autoria de Julia Child, e, com o apoio de seu marido, se propõe o seguinte desafio: preparar todas as mais de 500 receitas do livro em 365 dias – e relatar, em um blog, seus progressos diários.

Claro que este não é um processo simples, afinal a vida e todos os seus problemas consequentes continua lá. A autora relata suas próprias crises pessoais, como a falta de apoio da mãe ao seu projeto, o apartamento mal localizado e caindo aos pedaços, o emprego desestimulante e enfadonho… Tudo isso regado a manteiga e vísceras (só de pensar em fígado de frango…IUCK!!!!!!).

Claro, Julie e o marido tem suas restrições alimentares, mas todas caem por terra pelo domínio da culinária francesa. Quem nunca comera ovos antes, passa a apreciá-los, bem com vísceras e pepinos.

Outra coisa, o quanto o ato de comer, de servir comida, se relaciona à interação social. Nós nos reunimos em volta da mesa, convidamos os amigos para jantar ou almoçar, vamos para bares e restaurantes… Nos domingos e natais, reunimos a família em volta da mesa. Comer e conviver são coisas que se complementam, que caminham juntas. Conversar com as pessoas queridas usando como pretexto comidinhas gostosas é uma das melhores coisas que existem, e até isso parece ser modificado na vida de Julie – sua casa, em um lugar longíquo e de acesso complicado, vira um reduto de amigos atrás de sua comidinha.

E, claro, a importância que blogar adquire em sua vida, afinal os relatos diários faziam parte do desafio. O blog se tornou um sucesso e a relação com os leitores importante tanto para sua concretização quanto para dar novos ares e um novo rumo para a vida. Não sei. Quem sabe os comentários desse blog comecem a bombar também? :P

Enfim, é uma leitura leve, desbocada e divertida, sobre coisas que uma pessoa pode resolver fazer para dar um up na própria vida.

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Até a próxima!

O autor Sérgio Pereira Couto nos comunica o lançamento de seu novo livro, Investigação Criminal – Suspense e Ação para Desvendar um Crime Macabro. Seguem as informações:

Sérgio já é um nome conhecido no mercado literário com cerca de 30 livros lançados e mais de cem mil cópias vendidas de toda sua obra. Já foi entrevistado por vários sites e revistas, das quais a mais recente é a Istoé de 4 de agosto de 2009, quando falou sobre Sociedades Secretas. Dá palestras regularmente sobre o assunto na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, em São Paulo, e colabora para a revista LEITURAS DA HISTÓRIA, da Editora Escala.

Sérgio Pereira Couto é jornalista com passagem por revistas como Discovery Magazine e Ciência Criminal. Neste livro revela em detalhes a vida de um investigador criminal em um romance recheado com suspense e aventura.

Entre os romances publicados estão RENASCIMENTO (Giz Editora) e o best seller SOCIEDADES SECRETAS (atualmente na terceira edição) e SOCIEDADES SECRETAS – O SUBMUNDO (a continuação). INVESTIGAÇÃO CRIMINAL foi o primeiro livro de sua autoria no gênero publicado.

O romance foi escrito baseado em pesquisas e entrevistas com CSIs (Crime Scene Investigators) verídicos que trabalham na cidade de Little Rock, no estado norte-americano do Arkansas, e traz para o público não apenas informações sobre esses profissionais como também fala sobre alguns procedimentos adotados pela Polícia Técnico-Científica de São Paulo, que também serviu de inspiração para o enredo.

O livro foi muito elogiado pelo superintendente da Polícia Técnico-Científica, Celso Perioli, e pelo Diretor do Instituto de Criminalística, José Domingos Moreira das Eiras. Traz inclusive comentários da pesquisadora Ilana Casoy, autora dos livros Serial Killer e O Quinto Mandamento (sobre o caso Richthofen).

A Trama
Tony Draschko é um jovem brasileiro filho de poloneses cujos pais morrem durante um assalto em São Paulo. Seu tio, comissário de polícia da cidade de Little Rock, no estado norte-americano do Arkansas, leva o sobrinho para viver com ele e sua esposa, Donna.

Lá ele estuda e desenvolve um gosto pela investigação criminal. E passa a esperar por uma oportunidade de obter um emprego como CSA (Analista de Cena de Crime) no laboratório local, um dos melhores dos Estados Unidos. Com sérios problemas emocionais devido à morte de seus pais, o psicólogo forense encarregado de examiná-lo libera-o em troca de sessões constantes para tratamento de seus medos.

Tony é chamado pelo tio para investigar o misterioso assassinato de um músico de blues num clube noturno. Ele e sua parceira embarcam então numa investigação onde ele usará os conhecimentos pessoais mais tudo que aprendeu como fã da série de TV CSI para capturar o assassino antes que seja tarde demais. O livro, que foi revisado pela autora escritora forense Ilana Casoy, que comentou:

“Tudo o que você queria saber sobre perícia, numa trama de tirar o fôlego! Sérgio Pereira Couto abre com maestria o gênero Suspense Científico no Brasil. Finalmente um talentoso escritor de suspense científico emerge em nosso país. Se você é fã do seriado C.S.I., vai ler este romance de Sérgio Pereira Couto num fôlego só. Com informações preciosas sobre perícia científica permeando toda a história, é leitura obrigatória para os amantes da ciência aplicada na solução de crimes. E mesmo os mais experientes não adivinharão o final!”

Para quem gosta do gênero policial, vale a pena conferir!

O que se produz hoje em matéria de ficção fantástica no Brasil? Nós, brasileiros, deixamos a desejar comparados com autores de outras nacionalidades?

Com o objetivo de responder a primeira pergunta, em um manifesto de “estamos aqui, produzindo, e não devemos nada para ninguém”, a Editora Tarja lançou a coleção Paradigmas: por que não mostrar que nós estamos aqui, produzindo e criando?

E, também, por que não podemos quebrar paradigmas antigos – e até mesmo criar novos?

Foram escolhidos então, para o primeiro volume, treze contos de treze escritores de estilos e temáticas diferentes. Confiram então as críticas individualizadas a cada um dos contos:

MAI-NI Expressas, de Richard Diegues: O cotidiano de um universo cyberpunk. Não sei se é porque cyberpunk está longe de ser um dos meus estilos preferidos de leitura, ou se é porque o conto lembra o universo de Nevasca, livro que também não está na minha lista dos mais apreciados, mas não gostei. O conto, apesar de muito bem elaborado e desenvolvido, não me conquistou.

Vento, Seu Fôlego. O Mundo, Seu Coração, de Jacques Barcia: um conto com um acentuado toque de curry, tempero assim não tão comum na ficção pátria. O leitor já é mergulhado de início, e sem anestesia, em um universo mitológico em profunda agitação. Finda a tontura inicial subsequente, é hora de apreciar a história concisa, mas com todas as informações necessárias. Confesso que me ganhou pela esquisitice.

Um Forte Desejo, de M. D. Amado: um conto com acentuado toque de sensualidade. Agora, um passeio pelo terror, narrado pela perspectiva de uma mulher. Não traz uma temática inovadora, mas a execução do conto é bastante eficiente, apesar de que desde o primeiro parágrafo as pistas do que está para acontecer já são dadas para o leitor.

O Mendigo e o Dragão, de Bruno Cobbi: A ideia do conto é muito boa (fantasia urbana sempre é algo bom de se ver), mas a execução deixou a desejar. Várias ideias ficaram soltas, descoladas, sem maior desenvolvimento ou cuidado. A divisão de partes também ficou um pouco confusa, quem afinal fez o quê.

Una, de Roberta Nunes: Mais do que sobre erotismo, é um conto sobre a busca do prazer. Estranhei um pouco essa narrativa ser feita como conto infantil – no começo, a linguagem de “causo” até se mantém, mas vai se perdendo com o seu desenrolar. O mesmo acontece com a trama do conto: a primeira parte é bem-amarrada, a segunda não. É como duas ideias diferentes fundidas, sendo a primeira melhor executada do que a segunda.

Fogos de Artifício, de Eric Novello: É um conto com uma temática incrivelmente incomum: fantasia urbana. Magos e outras criaturas sobrenaturais que convivem em nossa realidade… Gostei BASTANTE da abordagem desse conto: um mago, uma investigação e alguns personagens em uma versão um pouco dark, tudo isso em uma narrativa super tranquila de ser lida. Está aí um belo conto-paradigma!

Aqui Há Monstros, de Camila Fernandes: Aqui, uma história de melancolia, muito mais do que de aventura. Dá para ver que a inspiração partiu de vários mitos para a criação de seu próprio – do começo, antes de perceber qual era o personagem em questão, pensei em vários, em especial em Odisseu e suas aventuras. A perspectiva do monstro sempre é um ponto interessantíssimo se bem-explorado, mesmo que nesse conto ele seja visto pelos olhos de outro personagem. E, como eu já disse, uma melancolia onipresente em toda a narrativa. Belíssimo.

Sinfonia para Narciso, de Cristina Laisatis: Um conto que não pertence ao gênero fantástico, cuja proposta é a narrativa de um Narciso contemporâneo. Muito interessante a sacada de que não é apenas a visão que pode conquistar alguém. Também interessante notar a construção caprichada do texto, com direito a brincadeiras linguísticas de levar sorrisos aos lábios.

A Lenda do Homem de Palha, de Leonardo Pezzella Vieira: Novamente, um conto que flerta o terror – e seriam crianças criaturas incapazes de atos de crueldade? Interessante a construção e a narrativa em primeira pessoa, bem como a temática que foge do lugar-comum fantástico. O único porém foi ter me lembrado de meu trauma de infância, o filme A Colheita Maldita… :P

A Teoria na Prática, de Romeu Martins: Um conto que não é fantástico mas que versa sobre um tema que mora ao lado: a teoria da conspiração (às vezes ela é mais fantástica do que uma horda de orcs de vestidos de oncinha dançando a macarena, afinal). Doses maciças de ironia e humor negro em uma trama bem-construída. Fiquei curiosa por mais contos no mesmo universo e temática. :D

O Combate, de Maria Helena Bandeira: O tema é bastante interessante e original – e dá uma interessante sensação de “não-localização” até o fim do conto, uma “pegadinha” muito bem-sacada e resolvida pela autora. A construção, em pequenos pedaços de textos, como pequenas cenas vistas em flashes, também torna tudo muito interessante. Gostaria de ver esse universo proposto expandido…

O Templo do Amor, de Ana Cristina Rodrigues: É um conto com três faces: ritmo musical, universo até bastante interessante e alegoria. Não é muito difícil de associar a música inspiradora às sensações e descrições trazidas pelo conto: às vezes o amor precisa morrer. Construção e ritmo impecáveis, mas o finalzinho ficou um pouco confuso, talvez merecesse uma reescritura.

Madalena, de Osíris Reis: Está aí uma temática bastante ousada. O autor foi bastante feliz em escolher tanto uma lenda nacional, quanto um período histórico muito rico e pouco explorado, quanto a temática – está aí um tema pesado, mas tratado de maneira adequada. Um conto bastante visual, com descrições precisas e detalhadas do ambiente ao seu redor. Só peca, novamente, pelo desfecho: o “turning point” da personagem-título é súbito demais, quase se faltasse alguma cena que o tornasse mais coeso com o resto.

Enfim, uma boa seleção de contos de bons autores. Um bom mostruário de que muita coisa boa está sendo produzida aqui e agora!

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Depois de dois meses passeando por Westeros, cá estou eu com uma resenha nova. A Storm of Swords é um livro simplesmente fantástico! Mas estou em dúvida se faço uma resenha individual dele, como fiz dos outros dois livros, ou espero a leitura do quarto para fazer uma resenha única da série até aqui. O que vocês acham?

Mas vou demorar um pouco para ler o quatro, porque antes quero pôr a leitura de outros assuntos em dia – em dois meses, a pilha de livros só fez crescer!

Então, por hoje apresento uma resenha não do último livro que li, mas da série que é o hit do momento e está estacionada no topo da lista dos mais vendidos desde seu lançamento: Crepúsculo.

A primeira e mais óbvia coisa a se falar sobre Crepúsculo é de seu público-alvo: adolescentes do sexo feminino. Se você já saiu da adolescência, ou não é mulher, é pouco provável que se sinta atraído por essa leitura – e, caso tenha se sentido, é um caso excepcional. Inclusive, é fácil identificá-lo com um estilo literário conhecido lá fora como “chick lit” – “literatura de mulherzinha”, escrita por mulheres para mulheres e que se identifica com clichês identificados com o sexo feminino.

Agora, vamos a Crepúsculo. A essas alturas, você deve saber que é a história de uma adolescente que se apaixona perdidamente por um vampiro. Ah, o mito do vampiro… Talvez, do grande leque temático da fantasia, é o mais aprazível e próximo do grande público. É um ícone tanto da imortalidade – o vampiro, afinal, é o “morto que não morreu” – da bestialidade inerente a cada um de nós e também da luxúria, da sede insaciável. É monstro, mas seduz para caçar. Seduz o público leitor, também.

Vampiros são uma constante no mercado: estão sempre na moda. Vide best sellers como Anne Rice e Charlaine Harris – e, aqui entre nós, André Vianco, as séries de quadrinhos, os filmes… Crepúsculo é um pouco disso tudo, fundido com o romance adolescente. E, claro, com uma boa dose de moralismo para agradar mamães e papais mais puritanos.

Bella é a garota-média: não é a cheerleader, não é a nerd-esquisita-do-canto-da-sala. Como toda boa adolescente, tem uma visão bastante distorcida de si mesma – autoestima baixa, insegurança, todos esses dramas. A história começa quando ela se muda da cidade grande para Forks, sua cidadezinha natal, para poder morar com seu pai. Com uma nova casa, uma nova rotina, e uma nova escola passa a fazer parte dela. E, lá, ela encontra-se com seu príncipe encantado: Edward, um garoto muito bonito e misterioso. E um vampiro.

Não é muito difícil entender por que a história é tão atraente: Bella é a garota-padrão, aquela que qualquer leitora poderia ser, e Edward é o namorado ideal: lindo, carinhoso, dedicado, companheiro, cortês, romântico, completamente apaixonado… Qual garota não desejaria um namorado assim? (apesar que, pessoalmente, o Jacob faz muito mais o meu estilo :P )

No primeiro livro da série, vemos uma Bella deslumbrada, até irritante ao repetir milhares de vezes o quão lindo, maravilhoso, perfeito, supremo, magnânimo, inigualável, absoluto, salve salve Edward é. Mas, tirando os exageros, ela não me parece muito diferente de uma adolescente padrão – lembrando que o amor adolescente é mais intenso, imediato e exagerado do que em qualquer outra fase da vida…

Por falar em “amor adolescente”, não mencionei um ponto importante: Edward é de uma família de vampiros bonzinhos que não caçam humanos, mas só animais. Tudo perfeitamente pasteurizado. Da mesma forma, Edward deseja Bella mas, como é um vampiro bonzinho, educado, de boa família e aprovado pelos pais, não morderá seu pescocinho. Tirem as presas e o sangue da história: o namorado perfeito que luta contra seus desejos carnais e mantém a sua namorada intacta. Acho que isso fica suficientemente claro na passagem do passeio no campo, onde eles se acariciam e ele revela o quanto ela atiça seus desejos e é uma tentação, mas que a ama o suficiente para resistir. Bella é a tentação perfeita, mas Edward será forte o bastante para provar apenas o amor, e não o corpo. Não sei. Desconfio que determinada autora mórmon teve dificuldades para chegar ao casamento virgem.

Bom, vale ressaltar sobre os vampiros que brilham o sol e a absoluta pasteurização do ambiente: fica difícil para quem já leu Bram Stocker ou mesmo Anne Rice.

E, quanto a esta última, a Meyer pode negar o quanto quiser, mas os ecos de Lestat, Louis e amigos estão ali para quem quiser ver. Uma boa pitada de World of Darkness – ou, no mínimo, Underworld – também está ali para quem quiser ver. A culpa que Edward sente por ser um imortal lembra muito das agruras internas de Louis e mesmo outros detalhes que vemos sobre a “mitologia vampírica” de Rice podem ser facilmente encontrados.

Das referências assumidas, também dá para encontrar muito do gótico de O Morro dos Ventos Uivantes – taí um livro que eu acho que valha uma resenha no futuro -, mas em um mundo onde Heathcliff e Catherine podem ficar juntos.

Passamos então para o livro dois, Lua Nova, e pela introdução de novos personagens: lobisomens. Novamente, World of Darkness (ou no mínimo Underworld) – os lobisomens de Meyer lembram bastante aqueles de Lobisomem: O Apocalipse – sim, ambos partiram do mesmo mito original das tribos xamânicas norte-americanas – mas falo especialmente sobre sua organização, atributos e relação com vampiros.

E, claro, Jacob, como personagem, funciona muito melhor do que as figurinhas de álbum Bella e Edward. Inclusive, ele é o responsável por mostrar o lado humano dos dois: as dúvidas, os medos, os questionamentos, o que se questiona ao se deparar com duas rotas opostas em seu caminho. É ele que os aproxima de uma realidade que não possuem, de uma humanidade. Jacob é o elemento humano, é a tensão da série – e também um de seus melhores pontos.

Em Eclipse, ele assume em definitivo o papel de vértice do triângulo amoroso. E, para Bella, não é apenas entre o vampiro e o amigo: é também o momento para tomar sua decisão interna sobre qual caminho deseja trilhar. Sem dúvidas é o melhor livro da série. A trama é bem desenvolvida, em comparação com os demais livros da série, vários personagens aparecem e fazem parte dela, harmonicamente, construindo o que precisa ser contado e toda a tensão dos últimos dois livros está para ser resolvida. Satisfatoriamente, em minha opinião.

Chegamos então ao último livro, Amanhecer. Finalmente Bella pode realizar seu grande sonho. E, novamente, a moral puritana: Bella só alcança a plenitude depois de um determinado fato específico. Só depois dele é que suas inseguranças todas vão embora – ou seja, uma mulher só se torna uma mulher verdadeira depois que determinado fato acontece em sua vida. Não gostei da conclusão da saga – além da história ter um dos maiores anticlímax que já li, vários personagens são mal-explorados, ficam perdidos no decorrer da trama, não possuem “o seu momento” – estão lá, jogados, sem serem aproveitados. Não sei o quanto os editores pressionaram para que esse livro saísse rápido, mas ele merecia ser melhor trabalhado, alguns fatos melhor esclarecidos, alguns personagens melhor aproveitados. É um final satisfatório, mas faltou bastante tempero nele.

Outra coisa que incomoda na série: em apenas uma ocasião podemos ver uma batalha – e com seres com vampiros e lobisomens andando por aí, por que não mostrá-las!!! Apenas uma batalha é mostrada com detalhes, as outras não são vistas ou acontece algo de sobrenatural – olha deus dando tchauzinho de fora da máquina – para impedi-las. O público não reclamaria se tivesse mais ação!

Por fim, é uma série que vale a pena ser lida tanto pela diversão descompromissada – ninguém lê Crepúsculo esperando encontrar uma obra literária que vá perdurar os séculos, pelamor – e também, principalmente, para penetrarmos um pouco no hype do momento – e, quem sabe, naquilo que seu público espera.

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E até a próxima!

poesiaconcreta

Fiz essa poesia concreta aos 17 anos. Editei e coloco aqui para apreciação.

Perdoem a falta de atualizações: meu tempo anda um pouco escasso e tenho três livros pendentes de término para lhes oferecer as resenhas – mas podem esperar que estou com muita coisa boa aqui na minha estante só esperando para ser lida :D

Retomando o assunto da leitura acessível, desta vez com uma indagação pertinente: com a internet, o reinado dos livros de papel está por um fio? A tecnologia on-line vai suplantar as prensas e prelos? Uma das barreiras em relação à leitura on-line é o desconforto em se ler no monitor – cansativo, desagradável, você não pode colocar debaixo do braço e levar para todos os cantos, há a dependência da eletricidade.

Mas, pensando na praticidade de como seria um gadget que tornasse a leitura pelo computador agradável, recentemente a Amazon lançou o Kindle – leve, com interface agradável e memória que permite um grande armazenamento, além do baixo consumo de energia. Ainda não é o mesmo que o livro de papel, mas já é um grande avanço tecnológico.

O livro de papel irá morrer? Não vejo isso acontecendo no curto prazo. Mas o que está com dias contados, e a internet tem um papel fundamental nisso, são os periódicos em papel. Jornais? Com a informação se atualizando on-line a cada segundo, como fica o papel (com trocadilho) do jornal diário? Revistas semanais? Idem. Vejam também o papel das redes de relacionamento na comunicação – a recente crise política no Irã e as manifestações da oposição através do twitter, avisando ao mundo de uma situação que não tinha meios de ser divulgada pela imprensa oficial, está aí para demonstrar isso.

Também um caso a se registrar é o destino da indústria fonográfica após a internet e o compartilhamento de mp3. Quem, hoje, compra CDs com a avidez de outrora? E quando a divulgação de um músico foi tão barata e eficiente como é hoje? O mesmo raciocínio vale para a literatura e sua divulgação: a internet está aí, a primeira tecnologia de leitura agradável também está aí. A porta está aberta, a questão é se adaptar e fazer o melhor uso possível da tecnologia e de tudo aquilo que ela traz ao nosso favor.

Mas o papo sobre a leitura on-line ainda rende bastante… Os parágrafos acima são apenas parte de ideias que precisam ser melhor explanadas e às quais voltarei futuramente. Hoje o foco, como estamos tratando da série “leitura acessível”, é sobre literatura online.

Como assim?

A internet simplesmente torna qualquer um – e qualquer conteúdo – acessível a qualquer um. Basta conectar seu computador e uma miríade de sites de todo o mundo está a alguns toques no teclado de distância. Assim sendo, é muito fácil para um autor colocar seus textos on-line e divulgá-los a todos os leitores em potencial.

Então, dá-lhe blogs de contos (até mesmo o meu – não tão ativo, mas serve como registro), sites de autores que disponibilizam sua obra a quem estiver disposto a ler, antologias online…

Claro, um ponto deve ser comentado: apesar de alguns sites realizarem uma seleção criteriosa de quem fará parte de seu acervo, esta prática não é comum a todos. Então, há vários textos online que possuem problemas graves de estrutura, gramática, temática… Só que há vários que valem a pena ser lidos e conhecidos, de autores em processo de aprendizado e evolução, além daqueles já mais experientes, mas não tão conhecidos, que oferecem textos maravilhosos em seus blogs.

Sobre os blogs autorais, minha indicação é… nenhum! Mas há um motivo: conheço tantos autores blogueiros que tenho medo de esquecer algum deles na hora das citações, então é melhor que vocês surfem pelos links aqui do lado, os links desses blogs e assim por diante!

Dos sites coletivos, indicarei três: Fábrica dos Sonhos, Recanto das Letras e Estronho.

Boa diversão e até a próxima!

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